quarta-feira, 22 de julho de 2009

Pratos Quebreados

O céu estava escurecendo, eram 6:30, Tom acabara de chegar do trabalho, extremamente cansado. Fora tomar banho, e viera assistir televisão. Suas últimas semanas tinham sido desgastantes, pois havia trabalhado muito, sob uma pressão que não agüentava, mas tudo acabara, pois tinha sido demitido, depois de uma discussão com seu chefe.
Procurava não pensar no ocorrido, mas sempre que parava dois minutos, relembrava a humilhação. Ligou para sua namorada, para que desse um pulinho no seu apartamento, para poder relaxar. Cátia, a namorada de Tom, estava com uma voz muito estranha, parecia com medo ou que havia chorado; Tom não perguntou nada na hora, deixou para quando ela chegasse.
Uma hora depois do telefonema, a campainha toca, Tom levanta num pulo do sofá e corre para abrir a porta, feliz que seu amor havia chegado. Para sua surpresa, era Anna, sua vizinha do andar de baixo pedindo ajuda para trocar a lâmpada. Tom, sempre muito prestativo, foi com ela até lá, mas deixou o apartamento aberto, caso Cátia chegasse.
O apartamento de Anna era muito aconchegante, calmo e cheirava a insenso de canela, a garota correu pegar a lâmpada e Tom logo a trocou sem esforço; a garota muito agradecida ofereceu a ele, suco e um pedaço de bolo que parecia delicioso e entraram em um conversa envolvente sobre relacionamentos. Anna acabara seu último relacionamento á três meses, e estava vivendo uma vida de solteira, com muitas festas, bebida e homens. Tom estava realmente feliz com seu namoro com Cátia, mas não saberia como ela reagiria quando soubesse que fora demitido.
Sem perceber, o tempo passou, e quando se deu conta das horas, agora 8:45, Tom correu para o apartamento, sem se despedir direito de Anna. Ao entrar no apartamento, ao viu ninguém na sala, ficara aliviado, mas de repente ele escuta um barulho de vindo da cozinha. Era Cátia, que havia chegado a mais de meia hora, e estava fazendo um jantar. Depois de uma pequena discussão sobre o paradeiro de Tom, Cátia serviu o jantar, estavam os dois sentados a mesa, contemplando um ao outro, sem abrir a boca, então, Tom decidiu contar a namorada, o que havia acontecido naquela tarde. A reação dela, não poderia ter sido pior, ficou fora de si, gritava coisas do tipo: “você não pensou na gente?”, “seu idiota” e quando sua ira acabou, abaixou o tom de voz, olhou profundamente nos olhos de Tom e contou que ele iria ser pai, que estava grávida de trigêmeos, que seus pais haviam expulsado ela de casa, e agora, teriam de viver juntos.
Tom, não sentia mais os pés, estava atordoado, procurava em nas suas lembranças o dia em que haviam transado sem preservativo, não conseguia se lembrar, eles sempre usaram preservativo, e o dele, nunca havia estourado. Quando se lembrou, de uma noite em que os dois haviam brigado, Cátia saíra bufando, prometendo que iria traí-lo, depois de uma discussão sobre quem havia ganho no jogo de xadrez. Tom, não levara a sério, as promessas dela. Após um pequeno flash back da cena, lembrou de Cátia, gritando no telefone com alguém para que não a procura-se mais, e a ficha caiu.
Ele não era o pai dos trigêmeos. Disse a Cátia, que ele não era o pai dos bebês, que não poderia assumi-los, e a lembrou daquela noite do jogo de xadrez e da ligação, Ela, não lembrava o que havia acontecido naquela noite, após ter saído para um bar e bebido muito, e continuava a dizer que Tom, era o pai dos bebês.
Tom, que perdera a paciência com ela a muito tempo, levantou com um olhar furioso no rosto, agarrou o prato e atirou-o contra a garota, que conseguiu se desviar do objeto pulando para o chão.
A garota saiu correndo, chorando, pelo prédio, depois desse dia, Tom nunca mais ouviu falar nela. Até que lera no jornal, que a garota havia se suicidado atirando-se ao mar.